O trabalho de investigação desenvolvido no âmbito do projeto Nanosurf, financiado pelo Instituto Valenciano de Competitividade Empresarial (IVACE) através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), foi coordenado pela AIMPLAS e contou com a participação de outros quatro centros associados à REDIT: o Instituto de Tecnologia Cerâmica (ITC), o Instituto Tecnológico de Metalurgia (AIMME), o Instituto Tecnológico de Mobiliário, Madeira, Embalagens e Indústrias Afins (AIDIMA) e o Instituto Tecnológico Têxtil (AITEX).
Segundo os investigadores envolvidos no projeto, a nanotecnologia aplicada à modificação de diversas superfícies é uma ferramenta de grande importância, tanto agora como no futuro, dado que muitas das propriedades ou requisitos desejados de um material dependem primordialmente da sua superfície. Atualmente, existem tratamentos de superfície altamente inovadores que permitem uma melhoria significativa das propriedades dos materiais tradicionais, além de proporcionarem funções completamente novas.
É o caso da biomimética, um campo científico e tecnológico com um potencial incrível que procura aplicar soluções desenvolvidas por organismos vivos ao longo de milhões de anos de evolução a materiais tradicionais. A tecnologia de superfícies nanoestruturadas permite a adaptação de muitas destas soluções naturais.
Diversidade de Materiais e Setores de Aplicação:
Durante o desenvolvimento do projeto estão a ser estudados tratamentos com nanomateriais que demonstram atualmente o maior interesse tecnológico para substratos poliméricos, metálicos, de madeira, têxteis, cerâmicos e de vidro. O objetivo desta colaboração entre setores tão diversos é encontrar e definir pontos em comum, sinergias e convergências entre as diferentes tecnologias de revestimento e tratamento de superfícies. Assim sendo, como etapa preliminar a estes tratamentos, é importante determinar a viabilidade de metodologias de ativação de superfície que possam ser compatíveis com metais, madeira, têxteis, materiais cerâmicos e polímeros.
Outro ponto de particular interesse nesta colaboração interinstitucional tem-se centrado na identificação de convergências na utilização de técnicas de caracterização comuns para metais, madeira, têxteis, cerâmica e polímeros que determinam a melhoria das propriedades superficiais (tribológicas, sensoriais, microbiológicas, diversas funcionalidades, etc.).
Trata-se de investigações alinhadas com uma tendência futura, como a utilização dos chamados materiais híbridos: materiais cujas propriedades já não são as dos materiais tradicionais tratados individualmente, mas as de um novo material cujas características e propriedades derivam das sinergias entre eles.
Assim sendo, uma das maiores vantagens da colaboração entre institutos tecnológicos reside na deteção e posterior aplicação das convergências existentes entre tratamentos, com recurso à nanotecnologia, em diferentes superfícies e as suas técnicas de caracterização, como perspetiva para o desenvolvimento destes novos materiais híbridos.

