1.ºAté ao final de 2018, mais de 50% dos fabricantes incorporarão a tecnologia IoT (Internet of Things) na fase de conceção dos seus produtos.
Em 2018, a IoT dará um passo decisivo na sua evolução. Se pensarmos na IoT como o sistema nervoso de um produto, em 2018 veremos este sistema crescer, deixando de ser apenas um sistema de captura de sinais externos para se tornar o cérebro do produto, enviando, recebendo, processando e recolhendo informação constantemente desde o núcleo do produto ao longo de todo o seu ciclo de vida. O setor da indústria transformadora é um dos mercados atualmente mais impactados pela IoT. De acordo com a Global Market Insights, a IoT na indústria transformadora atingiu um valor superior a 20 mil milhões de dólares em 2016, sendo que este valor deverá crescer mais de 20% entre 2017 e 2024 (CAGR, Taxa de Crescimento Anual Composta).
Os investimentos atuais em IoT estão concentrados em três áreas principais:
• Fabrico Inteligente, para aumentar a produção, a qualidade do produto e a segurança da força de trabalho, bem como reduzir o consumo de recursos.
• Produtos Conectados, para impactar o desempenho do produto, incluindo a recolha de informações detalhadas sobre os produtos no terreno, diagnósticos e manutenção remota.
• Cadeias de Abastecimento Conectadas, para aumentar a visibilidade e a coordenação, alcançando a rastreabilidade dos ativos e dos stocks para uma execução mais eficiente da cadeia de abastecimento.
Os fabricantes estão a perceber que, ao integrar a tecnologia IoT nos produtos e equipamentos, podem monitorizar não só o desempenho dos equipamentos para prever quando necessitarão de reparação, mas também como e quando estão a ser utilizados, proporcionando uma vantagem competitiva significativa.
2.º Até 2019, a impressão 3D terá atingido o seu auge e os benefícios reais começarão a materializar-se.
A minha segunda previsão é que a impressão 3D, tal como a IoT (Internet das Coisas), entre numa nova fase, mais madura. Esta previsão baseia-se em diversos desenvolvimentos que apontam nesse sentido. O primeiro é a escalabilidade melhorada das soluções de impressão 3D. Uma nova geração de empresas de impressão 3D está a migrar da manufatura em pequena escala, tradicionalmente dominada pelos fabricantes de moldes de injeção, para a manufatura em grande escala com sistemas automatizados novos, mais rápidos e melhor conectados, que reduzem algumas das etapas de pré e pós-produção que há muito tempo representam um obstáculo para este tipo de manufatura. A Stratasys, por exemplo, trabalhou numa nova impressora, a Demonstrator, que é altamente escalável e capaz de aumentar a capacidade de produção, imprimindo 1.500 a 2.000 componentes por dia. Isto significa que pode reduzir custos e, por isso, será um importante catalisador para o sucesso desta tecnologia.
3.º A servitização está a acelerar: até 2020, a maioria dos fabricantes obterá mais de metade da sua receita com serviços.
Com a indústria transformadora a tornar-se cada vez mais complacente, a necessidade de diferenciação é fundamental para a sobrevivência e rentabilidade das empresas. Atualmente, vemos um grande número de fabricantes a migrar para um modelo de negócio mais centrado nos serviços — uma tendência já conhecida como "servitização".
A servitização é uma forma de os fabricantes incorporarem características que melhoram a sua oferta global, para além do próprio produto. Um exemplo famoso é a Apple, que o fez há alguns anos, quando conquistou a maior parte do mercado com o iPod e lançou o iTunes para aumentar a lealdade, diferenciar-se e gerar mais receitas. Pode pensar que isto nunca se aplicará ao seu negócio, mas as empresas já estão a colher os benefícios da servitização hoje em dia, em muitos subsegmentos diferentes. Por exemplo, a Philips fornece ao Aeroporto de Amesterdão Schiphol "iluminação como serviço", o que significa que o Schiphol paga a luz que utiliza, enquanto a Philips mantém a propriedade de todas as luminárias e acessórios. A Philips, juntamente com o seu parceiro Cofely, será responsável pelo desempenho e durabilidade do sistema e, em última instância, pela sua reutilização e reciclagem no final da sua vida útil. Isto resultou numa redução de 50% no consumo de eletricidade, sem a necessidade de comprar uma única lâmpada.
Observamos este desenvolvimento também entre os clientes da IFS. Para o fabricante global de mobiliário Nowy Styl Group, a servitização foi crucial para o seu crescimento. Em 2007, a empresa anunciou que "para nós, as cadeiras não chegam", dando início a uma transformação de mero fabricante para uma consultora global de design de interiores. Outro exemplo é um cliente que fabrica produtos de limpeza. A empresa compreendeu que escolher os produtos de limpeza certos era apenas parte do objetivo principal dos seus clientes. Aplicar os produtos da forma mais eficaz, escolher os acessórios certos e estabelecer as rotinas de substituição corretas eram serviços cruciais para manter as instalações dos seus clientes limpas.
Ambos os clientes perceberam que, com a tecnologia a mudar tão rapidamente, o produto em si estava a tornar-se menos importante, e os produtos de maior sucesso hoje rapidamente se tornavam os produtos de amanhã, reduzindo os preços juntamente com eles. Com a servitização, os fabricantes escapam aos efeitos corrosivos da comoditização. Os serviços especializados, construídos com base em anos de experiência, proporcionam valor acrescentado pelo qual os clientes estarão sempre dispostos a pagar, independentemente das tendências tecnológicas.
De acordo com o inquérito da IFS conduzido pela empresa de investigação e publicação Raconteur, 68% dos fabricantes afirmam que a servitização está "bem estabelecida e já a gerar benefícios" ou "em curso e a receber a atenção e o apoio adequados por parte da gestão". No entanto, quase um terço das empresas transformadoras ainda não está a ver qualquer retorno do investimento em servitização. Estão a perder fluxos de receita e novas formas de desenvolver as suas ofertas. Para ter sucesso em satisfazer as necessidades dos clientes e as crescentes exigências, os fabricantes devem explorar novos modelos de negócio para otimizar o tempo de lançamento no mercado, transformando uma ideia de design num produto vendável o mais rapidamente possível.
A IoT acrescenta outra camada à servitização. Com sensores que detetam quando o seu produto ou equipamento necessita de manutenção, estes dados podem desencadear ações automatizadas que irão gerar benefícios significativos e tornar a sua organização de serviços ainda mais eficaz. Este tipo de manutenção preditiva automatizada tornar-se-á cada vez mais comum, pois é um passo natural após a implementação da IoT na gestão de serviços.
Autor: Antony Bourne,
Diretor Global da Indústria de Alta Tecnologia e Fabrico Industrial da IFS.
